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 DOMINGO DA VENERAÇÃO DA SANTA E VIVIFICANTE CRUZ

O que é a Santa Cruz?

Quando em criança olhava para Cristo na cruz, não sabia o que via e apenas me explicavam que o Senhor tinha sido assim martirizado e morto. Aceitei a explicação porque era óbvia.

Depois alguém me disse que era para cada um de nós perceber que devíamos carregar a cruz do sofrimento como fez o Senhor no caminho para o Calvário e depois crucificado. Aí já comecei a não aceitar a ideia de que o sofrimento é algo inevitável na vida. Até porque quando esmurrava um joelho, não era, a dor que sentia, coisa simpática ou natural na normalidade da minha jovem vida.


No terceiro domingo da Quaresma Pascal, ou Grande Quaresma, celebra-se uma festa conhecida como “Cruz Preciosa e Vivificante de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, com um serviço de veneração (não adoração) especial da Cruz.


O Apóstolo Paulo deixou-nos a sua visão sobre a Cruz:

Na sua carta aos Gálatas: Fui crucificado juntamente com Cristo. E, desse modo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. (2:20); Foi Cristo quem nos redimiu da maldição da Lei quando, a si próprio se tornou maldição em nosso lugar, pois como está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”. 14 Isso aconteceu para que a bênção de Abraão chegasse também aos gentios em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos a promessa do Espírito Santo pela fé. A Lei e a graça da Promessa (3:13-14); E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências(5:24);Quanto a mim, no entanto, que eu jamais venha a me orgulhar, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio da qual o mundo já foi crucificado para mim, e eu para o mundo (6:14);

Para além de símbolo de ódio e perseguição, é um sinal de reconciliação e diálogo.

Paulo considerava que a sua conversão a Cristo, o libertou da sua condição humana na prespectiva física, recebendo pelo Espírito Santo um novo ser revestido em Cristo. E que foi Jesus, pelo seu sacrifício que nos libertou da maldição que a Lei Mosaica lançava sob os pecadores.

Esta libertação, permite a cada um viver de novo, daí “Vivificante”.


Durante muitos séculos a cruz também foi um símbolo de salvação e vitória, como consagrado pelo Imperador Constantino (272-337) que dela teve uma visão antes de uma batalha. Ou entre nós com Nuno Álvares Pereira (1360-1431) antes da batalha de Aljubarrota.


Cirilo de Jerusalém (313-386), ensina nas suas lições (Catequese 13,19): “A cruz é chamada e é realmente vivificante; pois nela morremos para o pecado e vivemos para Deus

A Cruz encoraja-nos a seguir na luta, se necessário com sacrifício; Sem necessidade de apenas encontrarmos a Salvação através do sofrimento, pois Jesus o tomou para si, por todo o mundo e para todo o sempre.

Assim como aqueles que caminham na vida dolorosa e cansados se abrigam,sentido-se reconfortados, assim nos devemos sentir sob a sombra da Cruz.

A Quaresma é esse caminho de Libertação, como o foi para o Povo de Deus, que na sua travessia do deserto, depois de 3 dias sem beber, chegaram ao poço de Mara, cuja água era amarga, mas na qual Moisés lançou umas ervas que Deus lhe indicou e onde todos se puderam saciar (Êxodo 15:23-25); constituindo esta Festa da Vivificante Cruz, uma paragem de reconforto até à Páscoa e Ressurreição.


Desde o início do seu ministério, que Jesus foi colocando ênfase na Cruz. Como em Mateus (10:38), onde Ele diz “que quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim” , ou “negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16:24), “vinde, tomai a cruz e segui-Me' (Marcos 10, 21). Diz também: "E quem não carrega a sua cruz e vem depois de Mim não pode ser meu discípulo" (Lc 14, 27).

Jesus, passou a ser conhecido como o crucificado: “vós buscais Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui; porque ressuscitou, como disse" (Mt 28:5,6) disse o anjo às miriáfores.


O sinal da cruz, deve ser feito, recordando, o amor de Deus que através de Jesus aceitou o sofrimento e morte, para nos oferecer a vida eterna; Lembra-nos a imolação de Jesus, o Cordeiro de Deus sacrificial, que nos libertou do pecado;

Quando fazemos o sinal da cruz, comprometemo-nos a pertencer a Cristo, o Crucificado, de forma aberta, sem vergonha e perante todos os que nos olham.

Os sentidos e o gesto físico, não são necessários para a contemplação espiritual,mas transferem efeitos para a nossa mente e espírito; Recorda-nos como a Árvore da Vida, Deus Pai, que está erguida no centro de cada um, tendo à sua direita o seu Filho e à esquerda o Espírito Santo, não apenas ramos distintos, mas que são parte do todo, dizendo pela voz a profissão de Fé na Santíssima Trindade Una e Indivisível.

A Cruz também está presente na benção que recebemos de um clérigo, porque vem da Cruz e não dele.

A Cruz está presente em todos os sacramentos, exaltando-a para estarmos em comunhão com ela, para que Cristo viva em nós.


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