22º DOMINGO APÓS PENTECOSTES
8º DOMINGO DE LUCAS
EPÍSTOLA
Gálatas 6:11-18
11Vede com que grandes letras vos escrevo com minha própria mão.
12Todos os que querem ostentar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.
13 Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.
14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.
15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.
16 E a todos quantos andarem conforme esta norma, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus.
17 Daqui em diante ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus.
18 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém.
SILENCIO-MEDITAÇÃO
COMENTÁRIO
Gl 6:11-18
Naqueles tempos, em que o cristianismo já se manifestava pelo mundo através da formação de pequenas comunidades, o Apóstolo Paulo deixou nas suas cartas muitos ensinamentos aos seus destinatários, na sequência das suas observações e notícias que ia recebendo.
No centro destes ensinamentos está Cristo, mas também o Homem Novo, aquele que se distingue dos piedosos religiosos que até então dominavam.
Hoje conhecesse-se por “Clericalismo” esse poder material sobre o espiritual dos religiosos consagrados e dos seus apoiantes, que por vezes ainda são piores.
Paulo é claro neste texto ao alertar para aqueles que se aproveitam de certos dogmas (naquele caso a Lei) apenas para “sua glória pessoal”.
Quando Paulo pede para não o magoarem, diz que apenas tem as “marcas de Jesus”, ou seja que não se identifica com sinais materiais dos que se propõem liderar os cristão de então, como os de hoje.
EVANGELHO
Lucas 8: 41-56
41 E eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga; e prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que fosse a sua casa;
42 porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos, que estava à morte. Enquanto, pois, ele ia, apertavam-no as multidões.
43 E certa mulher, que tinha uma hemorragia havia doze anos [e gastara com os médicos todos os seus haveres] e por ninguém pudera ser curada,
44 chegando-se por detrás, tocou-lhe a orla do manto, e imediatamente cessou a sua hemorragia.
45 Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem.
46 Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder.
47 Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada.
48 Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.
49 Enquanto ainda falava, veio alguém da casa do chefe da sinagoga dizendo: A tua filha já está morta; não incomodes mais o Mestre.
50 Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe: Não temas: crê somente, e será salva.
51 Tendo chegado à casa, a ninguém deixou entrar com ele, senão a Pedro, João, Tiago, e o pai e a mãe da menina.
52 E todos choravam e pranteavam; ele, porém, disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme.
53 E riam-se dele, sabendo que ela estava morta.
54 Então ele, tomando-lhe a mão, exclamou: Menina, levanta-te.
55 E o seu espírito voltou, e ela se levantou imediatamente; e Jesus mandou que lhe desse de comer.
56 E seus pais ficaram maravilhados; e ele mandou-lhes que a ninguém contassem o que havia sucedido.
SILENCIO-MEDITAÇÃO
COMENTÁRIO
Lc 8: 41-56
O que nos quer dizer Lucas neste texto, quando relata duas curas diferentes no mesmo momento? Já pensaram nisso?
Por um lado relata a cura pela enorme Fé da mulher que lhe toca o Talit na orla ou franja, ou seja o que ali está traduzido por “manto”; sendo a “orla” composta por fios suspensos e com nós, para lembrar as obrigações para com Deus.
Por outro lado a ressuscitação da filha do responsável pela sinagoga, que pode não ser um “sacerdote”, mas apenas um responsável pela comunidade daquela povoação.
Se o primeiro acontecimento é o reconhecimento da divindade de Jesus, por alguém que pela sua Fé não fez nenhum “negócio” com Deus, como por exemplo através de uma “promessa” ou sacrifício ritual; o segundo acontecimento refere-se a uma pessoa habituada e apoiante de certos rituais, que no desespero de ver a sua filha muito doente, espera que Jesus, o Rabi, seja o verdadeiro portador da salvação da filha.
Enquanto a mulher curada não teve dúvidas quando se aproximou de Jesus, o pai da menina e familiares apenas estavam interessados em resolver o seu problema e riram-se quando Ele os contrariou dizendo que ela não estava morta.
No segundo acontecimento, Jesus sabia que ao ressuscitar a menina, pertencente a uma família sem Fé verdadeira, aqueles não saberiam interpretar o acontecimento maravilhoso que ocorrera e o mais certo é que contassem aos outros à sua maneira e de forma errada.
Este Evangelho e a porção de epístola de hoje, ensinam-nos muita coisa, nomeadamente que não são os sinais e manifestações exteriores que nos aproximam de Deus, que até nos podem afastar d'Ele, mas o Homem Novo, aqueles que vivem em Cristo como um projecto pessoal e colectivo, interior, sem poder da “carne” ou seja das coisas materiais.
