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30º DOMINGO APÓS PENTECOSTES



EPÍSTOLA

Gálatas 1:11-19

11 Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens;

12 porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo.

13 Pois já ouvistes qual foi outrora o meu procedimento no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava,

14 e na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

15 Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,

16 revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue,

17 nem subi a Jerusalém para estar com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco.

18 Depois, passados três anos, subi a Jerusalém para visitar a Cefas, e demorei com ele quinze dias.

19 Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor.

SILÊNCIO-MEDITAÇÃO

COMENTÁRIO

Gálatas 1:11-19

Esta Epístola é provavelmente a primeira a ser escrita por Paulo, para uma comunidade de origem celta que habitava na Capadócia, actual Turquia.

A proximidade, por via marítima no mediterrâneo, facilitava a viagem entre aquele território e Jerusalém.

De alguma forma Paulo conhecia esta comunidade, ou por a ter visitado, ou por ter recebido notícias e, por uma dessas razões, soube que alguém divulgava um Evangelho falseado (como uma narrativa da vida de Jesus e dos seus ensinamentos que não correspondiam ao acontecido).

Paulo, faz saber que a Boa Nova que ele anuncia, não foi uma invenção dele, nem tem a ver com aquela que alguém anuncia naquela comunidade.

Paulo que não conheceu a Jesus,antes da Sua morte e ressurreição, recebeu d'Ele próprio, por inspiração do Espírito Santo, todos os ensinamentos que ele anuncia. Poderá no entanto, também, ter recebido de Ananias alguns ensinamentos aquando dos acontecimentos no caminho de Damasco.

Ananias, enviado pelos apóstolos em Damasco, foi quem curou Paulo da cegueira e o batizou, Ananias era uma pessoa muito conceituada entre os Judeus, sacerdote e rabi, com formação teológica e que se converteu a Jesus.

Paulo sublinha que a fonte do que anuncia vem de Deus, sem ter sido instruído por alguém de Jerusalém, onde estavam os apóstolos. Paulo refere que desde o nascimento se instruiu entre os zelotes judeus, na interpretação humana da Lei, para além do que era praticado pela generalidade dos judeus; perseguindo os seguidores de Jesus até ao momento em que pela Graça de Deus lhe foi revelado seu Filho, tornando-o apóstolo para os gentios, ou seja entre os não judeus.

Paulo recebeu a sua missão, não entre judeus onde tinha reputação de zelote e seria mais fácil receberem-no, mas entre os não judeus; missão muito mais difícil e por essa razão partiu para a Arábia.

Na Arábia andou três anos, viagem sobre a qual não há relatos, nem sabemos exactamente por onde andou. No interior, a sul e sueste de Damasco existiam, naquele tempo, locais de peregrinação das religiões locais, bem como comunidades ascéticas de matriz judaica, entre as quais Paulo pode ter vivido, recuperado a sua saúde e fortalecido a sua Fé. A falta de narrativa sobre esta viagem que teve uma duração longa, parece indicar que depois de Paulo ter desempenhado um papel relevante entre os zelotes, se afastou do convívio com outros judeus, para consolidar a sua Fé após a sua conversão a Jesus Cristo.

O regresso a Damasco, levou-o a Jerusalém para se encontrar com Pedro. Este e outro encontro parece ter emergido devido a problemas teológicos entre os apóstolos, com Pedro a afastar-se dos gentios para não entrar em conflito com os cristãos de origem judaica. É clara a posição de Paulo, que veio a consolidar-se com a primeira decisão no primeiro concílio em Jerusalém, não estendendo a prática da circuncisão aos não judeus e deixando a estes a liberdade de o fazerem ou não.

Tiago o “Justo” ou “Menor”, era sem dúvida o principal Apóstolo que ficou em Jerusalém conforme os relatos constantes em Atos dos Apóstolos, Epístolas Paulinas e dos cronistas Flávio Josefo e Hegésipo, bem como em textos gnósticos do século II e de historiadores da mesma época.

Os restantes apóstolos, que na altura já seriam pelo menos 70, andariam em viagem.

Esta Epístola fala-nos da conversão de Paulo e da sua preocupação em preservar o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo e dos Seus ensinamentos, contra as interpretações acomodadas ou deliberadamente alteradas pelas pessoas, a fim de alimentar o seu poder humano ou apenas por falta de instrução.

Paulo introduz-nos no modo de vida ortodoxo, em que cada um tem de estar disponível para receber o Espírito Santo, fazer o seu trajecto individual de fortalecimento na Fé, reforçar a sua pertença à Igreja das pessoas e preservar os ensinamentos de Jesus, revestindo-se em Cristo.

SILÊNCIO-MEDITAÇÃO

EVANGELHO

Mateus 2:13-23

13 E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar.

14 Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.

15 lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egipto chamei o meu Filho.

16 Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos.

17 Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias:

18 Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem.

19 Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egipto,

20 dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino.

21 Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.

22 Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galileia,

23 foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno.

SILÊNCIO-MEDITAÇÃO

COMENTÁRIO

Mateus 2:13-23

A fuga para o Egipto, pode ser explicada pela não jurisdição de Herodes naquela região e, porque, existiam ali muitas comunidades judaicas que os podiam acolher, após uma viagem secreta, melhor do que noutras direcções e regiões.

A prontidão e obediência de José, diz-nos que assim também devemos ser quando chamados a defender a nossa Fé, mesmo correndo riscos ou com sacrifício.

Também sobre esta viagem nada se sabe, nem sobre o lugar para onde se dirigiram, nem sobre a duração, como aconteceu com Paulo após a sua conversão. Podemos, a qualquer momento, ser chamados e não interessa o lugar nem durante quanto tempo. Quando este chamamento se manifesta em nós, não há obstáculos, nem interesses pessoais que possam impedir fazermos o caminho da Salvação.

Este episódio sangrento terá decorrido em torno de Belém que era um pequeno lugar e apenas foi relatado nos Evangelhos, não constando de outros registos históricos, talvez pela sua pequena dimensão.

No entanto, os cristão registaram-no e também aqui podemos tirar um ensinamento: O rei Herodes, era considerado um ungido do Senhor apenas por ser Rei; no entanto praticou imensas atrocidades conhecidas através de diversas crónicas históricas. Nem sempre os que se dizem escolhidos o são verdadeiramente e com o seu poder humano perseguirão toda a manifestação da Paz e do Amor de Deus no mundo.

Novamente, Mateus, faz consignar a concretização das profecias, dando-lhe algum relevo, pois seria natural dirigir-se aos judeus. O cristianismo não é apenas uma religião do Novo Testamento e, o Antigo Testamento não é apenas uma descrição de factos sangrentos. Não precisamos de muito trabalho para reconhecer a fonte única de Deus e identificar o Povo escolhido por Deus que na Nova Aliança, por Jesus Cristo, encontrará a salvação.

Raquel aqui mencionada é a matriarca de Israel , da qual nasceu Benjamim, cuja tribo vivia naquela região de Rama, de onde também era José de Arimateia, onde nasceu Samuel e onde Saúl foi ungido rei, local de ajuntamento antes do exílio para a Babilónia e também onde provavelmente David tenha composto alguns Salmos, pela descrição constante no S 104(105):25, porque seria um lugar tranquilo, de peregrinação e onde a natureza se manifestava com a presença dos seus animais, onde desde uma colina se vê o Mediterrâneo. A simplicidade (urbana) da região, que aceitamos como lugar de nascimento de Jesus, é referência bíblica muito importante, como também são os lugares por onde Jesus pregou, para alem do Templo e das Sinagogas por onde passou, como colinas, margens de lago, locais ermos, fontes, com os seus divinos e sublimes ensinamentos.

Novamente José foi visitado por um anjo e a ele obedeceu. Do ponto de vista de leitura histórica podemos destacar aqui a posição no tempo – a morte de Herodes e ser Jesus ainda menino, também fixado em crónicas históricas sobre a monarquia judaica. Algumas pessoas têm-se esforçado por fazer permanecer Jesus nas montanhas do Egipto ou Síria até à sua maioridade, onde ascetas Judeus poderiam ter sido seus educadores. No entanto, Mateus diz-nos que José, Maria e Jesus, partiram, não para Belém ou Jerusalém, sendo Jesus menino (menos de 12 anos, conforme os judeus), mas para Nazaré na Galileia, onde os Saduceus, que administravam o Templo, não exerciam a autoridade e, com a morte de Herodes o reino ter sido dividido pelos seus três filhos, cabendo a Antipas aquela região e a de Rama/ Belém, na Arimateia, ao irmão Arquelau (a que os romanos deram o nome de Palestina e actualmente usada erroneamente, mas na época de Jesus era parte da região da Judeia).

A história não serve apenas para no âmbito das ciências humanas conhecermos o mundo, mas também serve para esclarecer muitas informações erradas com objectivos de poder material.

Esta porção do Evangelho, fala-nos da fidelidade de José a Deus, da continuidade da Sua presença entre o Povo Eleito, prosseguida pelos cristãos, da diversidade humana, de como o poder humano é provisório e finito, contra a infinidade de Deus e da importância de alguns lugares escolhidos para se manifestar a vontade d'Ele.

Este relato, colorido nas peripécias que refere, é no entanto uma mensagem de Paz que bem podia ser usada como projecto político para qualquer nação e tem como inimigos os que havendo sido criados à semelhança de Deus, com capacidade para criar e decidir, fazem-no contra a Sua vontade usando da mentira e perfídia, aos quais judeus e cristão resistem porque seguem a sua Fé verdadeira.

SILÊNCIO-MEDITAÇÃO

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