21º DOMINGO APÓS PENTECOSTES
7º DOMINGO DE LUCAS
EPÍSTOLA
Gálatas 2:16-20
16 sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.
17 Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De modo nenhum.
18 Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor.
19 Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus.
20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
SILENCIO-MEDITAÇÃO
COMENTÁRIO
Gl 2:16-20
A escola rabínica em que Paulo se formou, defendia, por oposição aos sacerdotes dominantes na época, que para alcançar a Salvação não era suficiente realizar obras, conforme a lei mosaica; Este é um ensinamento que facilmente Paulo percebeu de Jesus e tornou central na sua actividade profética (daquele que divulga a Boa Nova).
Paulo esclarece que ao abandonar a sua actividade de perseguição dos cristãos, de radical seguidor da lei mosaica, encontrou Deus pela Fé e amor em Cristo. Ou seja, uma entrega pessoal e integral de cada pessoa aos ensinamentos de Jesus Cristo é o verdadeiro caminho da Salvação.
EVANGELHO
Lucas 8: 26-39
26 Apontaram à terra dos gerasenos, que está defronte da Galileia.
27 Logo que saltou em terra, saiu-lhe ao encontro um homem da cidade, possesso de demónios, que havia muito tempo não vestia roupa, nem morava em casa, mas nos sepulcros.
28 Quando ele viu a Jesus, gritou, prostrou-se diante dele, e com grande voz exclamou: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes.
29 Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois já havia muito tempo que se apoderara dele; e guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas ele, quebrando as prisões, era impelido pelo demónio para os desertos.
30 Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião; porque tinham entrado nele muitos demónios.
31 E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo.
32 Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e lho permitiu.
33 E tendo os demónios saído do homem, entraram nos porcos; e a manada precipitou-se pelo despenhadeiro no lago, e afogou-se.
34 Quando os pastores viram o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.
35 Saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem havia saído os demónios; e se atemorizaram.
36 Os que tinham visto aquilo contaram-lhes como fora curado o endemoninhado.
37 Então todo o povo da região dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande medo. Pelo que ele entrou no barco, e voltou.
38 Pedia-lhe, porém, o homem de quem haviam saído os demónios que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:
39 Volta para tua casa, e conta tudo quanto Deus te fez. E ele se retirou, publicando por toda a cidade tudo quanto Jesus lhe fizera.
SILENCIO-MEDITAÇÃO
COMENTÁRIO
Lc 8: 26-39
Os acontecimentos relatados por Lucas, também são referidos por Mateus (8:28) que foi lido no 5º Domingo Após Pentecostes. Lucas refere-se aos habitantes de Gergesa, enquanto que Mateus aos habitantes de Gadara (atual Umm Qais) região em torno de El-Koursi, a cidade que Orígenes e Eusébio identificaram como Gergasa, Gergesa ou Geresa, que era o centro de um distrito da Decápole (Jarash), daí não haver discordância histórica entre os dois textos, pelo contrário, porque era o mesmo território mas identificado a referências próximas junto ao mar da Galileia onde aproou a embarcação.
A riqueza do cristianismo manifesta-se desde logo, também, nas diferenças de olhar de cada evangelista para os mesmos acontecimentos e ensinamentos de Jesus.
Mateus que estava mais integrado no judaísmo, não deu importância a que os demónios passassem para os porcos, animais impuros segundo a religião e assinalou o desinteresse dos habitantes no acontecimento extraordinário, que só se preocuparam com a perca dos animais.
Lucas, menciona que existiam pastores no local, não sabemos de que animais, mas segundo os costumes da época não seria da vara de porcos, que apenas andavam por ali e pelas aldeias a alimentar-se de tudo o que encontravam.
Lucas, como Mateus relatam o desinteresse dos habitantes em tão extraordinário acontecimento, tanto mais que os loucos (ou endemoinhados) eram violentos e atacavam as pessoas que passavam perto deles. Os evangelistas apenas referem que os habitantes ficaram atemorizados com aquelas curas e pediram a Jesus e aos seus discípulos que se retirassem dali.
Pelo menos um dos que foram curados quis ficar com Jesus, que o despediu mandando-o para casa.
Em Mateus 22:14 está escrito que “muitos são chamados e poucos os escolhidos”, ensinamento que se pode aplicar a diversas circunstancias.
Porque Deus tem um projecto, em que cada um tem acesso à Salvação por iniciativa de cada pessoa que por vezes não consegue distinguir o verdadeiro caminho de outros, tão impregnado que está de ideias materiais e preconceitos, que confundem ideias religiosas com Deus, instituição religiosa com viver em Cristo.
A região onde Jesus se fez conduzir, era uma Decápole identificada pelos judeus como um território onde vivia gente que pouco se interessava pela Salvação. Jesus sabia-o, mas mesmo assim quis indicar o caminho àquela gente, através de um acontecimento extraordinário que foi a cura dos loucos e a sua autoridade sobre os demónios que O reconheceram como Filho de Deus, para em seguida apelar a quem testemunhou, que o fosse divulgar pelos outros e partiu de novo para a margem do lago, de onde partira.
